Mostrando postagens com marcador câmera. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador câmera. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Enquadramentos de câmera e cortes entre eles

Já faz um tempo que eu queria continuar a escrever sobre este assunto, então voltamos aos cortes e câmeras. :-)

Segundo o wikipedia, "Plano, em cinema, é um trecho de filme rodado ininterruptamente, ou que parece ter sido rodado sem interrupção". Há diversos tipos de planos que são usados para diferentes objetivos. Vou escrever um pouco sobre os tipos de planos e algumas sugestões sobre como cortar entre eles. É bem o básico mesmo, mas é sempre bom saber. ;-)

Ah, vale comentar que eu aprendi isso em inglês, então fiz uma busca para encontrar termos em português, mas não garanto que todos os termos sejam os usados normalmente, pois não consegui encontrar todas as correspondências, então desculpem-me se eu fizer algum erro de nomenclatura.

Tipos de planos
plano geral

Há diferentes tipos the planos para diferentes situações. No início de um filme freqüentemente há um plano geral (establishing shot), que mostra todo o cenário, estabelecendo onde o evento ocorrerá e situando o espectador.



plano aberto

Um plano aberto (wide ou long shot) mostra a cena de uma distância menor que o plano geral, mas ainda inclui o cenário.

Em seguida, tem-se o plano de corpo inteiro (full shot), que inclui o personagem inteiro. Então temos o plano americano (medium full) que começa nos joelhos, e o plano médio (medium shot) que começa na cintura.




A nomenclatura e os limites não são rígidos e podem variar. O mais simples é mostrar para quem opera a câmera de onde até onde deve ser feito o enquadramento, pois dizer simplesmente que se quer um "plano médio" ou "plano aberto" não significa que a outra pessoa irá entender a visão na cabeça do diretor. Mas com animação isso é um pouco mais simples ;-) As imagens que estou usando são do site gettyImages.com.


              
corpo inteiroamericanomédio












Temos a seguir os planos próximos: close-up médio (medium close-up), que mostra bem os movimentos da cabeça e como eles pontuam e enfatizam o que é dito. No close-up de face (face close-up) vê-se muitos detalhes nos olhos, movimentos da boca e também da cabeça. Os close-ups extremos (extreme close-up) mostram apenas uma parte do personagem, como os olhos. São reservados para reações emocionais mais intensas.


                  
close-up da facemédioextremo









Para os planos que não são tão próximos – do plano americano ao close-up médio – é bom incluir um pouco de espaço vazio sobre a cabeça. É importante manter este espaço quando se passa de um plano para outro.

O espaço sobre a cabeça dá margem a outra discussão envolvendo o enquadramento: deixar espaço vazio ao redor do personagem pode ter diferentes efeitos. Por exemplo, se houver muito espaço vazio na frente de um personagem, ele/ela pode parecer mais aberto e se houver mais espaço atrás dele/a, somos mantidos a uma distância maior.

De um modo geral, é bom pensar quanto o personagem irá se mover. Se ele for correr, precisa-se de mais espaço na tela, se ele estiver sentado, pode ser suficiente vê-lo apenas da cintura para cima e assim por diante.

Vale mencionar que normalmente ficamos a uma distância maior do personagem enquanto não o conhecemos. Assim, no início de uma história veremos o personagem de uma distância maior, num plano médio ou full. Conforme ganhamos intimidade com ele, nos aproximamoso. Algo similar se aplica a câmeras sobre o ombro (over-the-shoulder) filmando dois personagens conversando. Se eles ainda não se conhecem a câmera não fica tão perto da linha que liga os olhos dos personagens (eyeline). Quando eles começam a se conhecer melhor, nos aproximamos da linha. As imagens abaixo ilustram isso:

mais perto da linha dos olhares
longe da linha


Cortando de um plano para outro
Quando se corta de uma câmera para outra, deve-se observar alguns detalhes. Não se deve cortar entre planos ou ângulos de câmera parecidos, ou pode parecer um erro para a audiância: deve-se entender que é um corte.

Além disso, quando se corta de um plano para o próximo, se algo estiver se movendo é importante que a velocidade percebida seja mantida. Assim, talvez em um plano alguém esteja estendendo o braço para pegar algo à sua frente. Quando se corta para um plano médio, a mão deve parecer estar se movendo à mesma velocidade que no momento anterior. Às vezes, a velocidade da mão não será a mesma nos dois planos, já que quando estamos mais próximos, pode parecer que o objeto/personagem está se movendo mais rapidamente.

Esta foi uma visão geral sobre planos, por isso acabou ficando meio comprido...provavelmente voltarei às câmeras alguma hora, já que acho este tema muito interessante :-)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cortes de câmera

Esta semana no AM aprendemos o básico sobre cortes de cenas. Achei extremamente interessante, então aqui estão algumas coisas que aprendi.

A idéia em um vídeo é dar à audiência o „melhor lugar da casa“. Assim, para uma cena, pode ser que tenhamos que mostrar o acontecimento visto por diferentes perspectivas, para que o espectador veja tudo que importa. Para tanto, pode ser que tenhamos que cortar de uma câmera para outra. Por exemplo, primeiro mostramos uma pessoa dizendo algo e depois cortamos para outra câmera que mostra o interlocutor reagindo a isso. O corte deve ser invisível para que a audiência nem note que está acontecendo.

Quando se corta uma cena, é importante deixar a ação terminar. Quando algo se move, normalmente as seguintes etapas ocorrem:
1. Elemento está em repouso
2. Atinge velocidade máxima
3. Desacelera e mantém velocidade constante
4. Extensão máxima/Impacto
5. Retração

Para fazer o corte, devemos esperar que este ciclo todo seja completado, senão a audiência pode se sentir interrompida, o que não queremos. Claro que há exceções, como em filmes de horror, quando se pode interromper os pensamentos da audiência para assustá-la, etc.

Um exemplo que foi dado é o do ballet. Há muitos movimentos em que pernas/braços são extendidos e a pose é mantida por algum tempo. Assim, para se fazer o corte, espere o momento chegar, inclua uns dois quadros para que a imagem seja absorvida pelo cérebro do espectador e então corte. Pode-se fazer um corte interrompendo o movimento para passar para um zoom dos braços se extendendo. Entretanto, como a aula foi apenas uma introdução ao tema, essa idéia dos cortes no meio de movimentos não foi desenvolvida.

Outro exemplo que acho que devo mencionar também é o corte de caminhadas. Não se deve cortar quando o pé toca o chão: deixe o corpo começar a subir um pouco para que o passo seja completado.

Diálogos!
Quando se faz cortes em diálogos, devemos também achar um momento em que a idéia foi „fechada“. Há 4 regras para cortes em diálogos:

  1. Cortar num ponto. Pode-se fazer uma analogia do silêncio do ponto final com um elemento chegando novamente ao estado de repouso. Este é um ponto em que se tem um corte limpo. Lembre-se de cortar de 1 a 3 quadros depois de a frase ter terminado. 
  2. Corte numa vírgula, que poderia ser considerada como um pequeno ponto no meio da frase. Assim pode-se, por exemplo, fazer o corte para mostrar a reação do interlocutor ao que foi dito enquanto a frase continua. Como antes, deixe alguns quadros antes de passar para o próximo corte.
  3. Pode-se cortar no meio de pausas que são longas o suficiente.
  4. Corte em plosivas. Esta seria a palavra (ou o som) mais enfatizada numa frase. Foi explicado que por uma fração de segundo há uma desorientação no cérebro devido à palavra mais forte e enquanto o cérebro se reorganiza, pode-se cortar para outro ângulo. Isso normalmente ocorre no meio de cenas de ação e falas bem agressivas.

Assim, exceto pela última regra, deixe chegar a pausa, deixe uns frames a mais e faça o corte. Assim a audiência consegue acompanhar o que está acontecendo. Este é só o básico, mas tente ver essas regras aplicadas quando assistir filmes :-)

Bem, isto foi parte da aula que assisti, voltarei a este tema em breve!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Corrigindo o blocking...

Para a próxima etapa, primeiro fiz as mudanças sugeridas pela mentora: principalmente exagerar umas poses e mudar o tempo de alguns movimentos...mas a maior mudança mencionada foi o ângulo da câmera.
A razão é que, ao fim da primeira parte da animação desse mago, ele estava do lado esquerdo da tela e a bola, do lado direito. Assim, se começarmos a próxima parte com os personagens invertidos na tela, a audiência pode ficar confusa.

Existe uma regra a respeito chamada a regra dos 180 graus. É bastante simples: traça-se uma linha imaginária de um personagem ao outro e a câmera permanece de um lado desta linha. Pode-se movimentar a câmera, contanto que ela permaneça sempre do mesmo lado. Fazendo isso, mantém-se os personagens posicionados claramente evitando confundir a platéia.

Mudar a câmera certamente exigiu que eu voltasse e trabalhasse nas poses novamente, para que elas funcionassem bem nesse novo ângulo. Aqui está o novo blocking:




Após fazer as correções, comecei o splining – tirar as curvas do modo degrau e colocar transições mais suaves entre as poses e passar a sensação de peso do personagem. A bola foi animada apenas um pouco, pois eu quis manter o foco no Stewie. Aqui está o resultado:



Como estou mostrando o progresso desta animação, talvez você tenha interesse nesse link superinteressante que mostra os diferentes estágios de algumas ótimas animações: http://animationprogression.blogspot.com
Related Posts with Thumbnails